Os rumores sobre os primeiros óculos inteligentes da Samsung ganharam corpo. Uma série de vazamentos detalhou a ficha técnica dos chamados Galaxy Glasses, o aparelho com que a fabricante quer entrar na disputa dominada hoje pelo Ray-Ban Meta. A aposta é clara: em vez de um visor volumoso de realidade aumentada, os óculos teriam o formato discreto de um óculos de sol comum, com câmera e microfone embutidos — a mesma receita que fez o modelo da Meta emplacar.
Pelos dados vazados, o coração do aparelho seria o chip Qualcomm Snapdragon AR1, o mesmo tipo de plataforma usada em concorrentes. A câmera seria uma Sony IMX681 de 12 MP, acompanhada de alto-falantes direcionais, Wi-Fi, Bluetooth 5.3 e lentes fotocromáticas, que escurecem automaticamente no sol. O conjunto pesaria cerca de 50 gramas, com uma bateria modesta de 155 mAh — números que reforçam a ideia de um dispositivo pensado para uso pontual ao longo do dia, e não contínuo.

O que pode separar a Samsung da concorrência é o software e a conectividade. Os Galaxy Glasses rodariam o Android XR, plataforma desenvolvida em parceria com o Google, e teriam o assistente Gemini como grande destaque — permitindo comandos de voz, respostas contextuais e integração com o ecossistema Google. Mais interessante: um dos vazamentos aponta a possibilidade de conexão móvel própria, o que deixaria os óculos operar com seus próprios dados, sem depender totalmente de um smartphone por perto — uma limitação que ainda incomoda nos produtos da Meta.

Vale reforçar que nada é oficial: todos esses dados vêm de vazamentos, e a Samsung ainda não confirmou o produto. A expectativa é que os óculos apareçam em um evento Unpacked ao longo de 2026, com preço estimado entre US$ 379 e US$ 499 lá fora. O plano descrito seria lançar primeiro um modelo sem tela e, só em 2027, uma versão com display de realidade aumentada. Para o mercado brasileiro, ainda é cedo para falar em data e preço — mas a entrada da Samsung nessa categoria promete esquentar de vez a corrida dos óculos com IA.
Atualização: Samsung fala em “preço razoável” e detalha a bateria

A conversa saiu do terreno exclusivo dos vazamentos. Em entrevista ao jornal The Korea Times, Choi Jaen-in, responsável pela equipe de pesquisa em realidade estendida da Samsung, defendeu que os Galaxy Glasses chegarão por um “preço razoável”, ainda que posicionados como produto premium. Não é um número oficial, mas é a primeira sinalização vinda de dentro da empresa — e ela conversa com a faixa de US$ 300 a US$ 500 (algo entre R$ 1.500 e R$ 2.500 na conversão direta) que o mercado vinha especulando, patamar semelhante ao do Ray-Ban Meta em seu lançamento.
O executivo também deu contornos mais concretos à autonomia, ponto fraco de praticamente todo óculos inteligente. A promessa é de até 9 horas de uso por carga, com o estojo garantindo mais sete recargas completas — números que só fazem sentido por causa da arquitetura escolhida: o processamento é dividido. Tarefas básicas rodam no próprio óculos, enquanto processamento de imagem e tradução em tempo real são empurrados para o smartphone pareado. É a mesma lógica que os relógios inteligentes usam há anos para não derreter a bateria.

Outros detalhes reforçam a ambição de uso cotidiano: o áudio alterna automaticamente entre os alto-falantes abertos do óculos e os Galaxy Buds, quando presentes; há acesso a aplicativos da Samsung e do Google, como Samsung Notes, Gmail e Google Maps; e existe um mecanismo de privacidade que bloqueia a gravação quando o indicador luminoso está apagado ou quando os óculos são retirados do rosto. Do lado do design, a Samsung trabalharia com as grifes Gentle Monster e Warby Parker — o mesmo caminho de “óculos primeiro, gadget depois” que fez o modelo da Meta funcionar. A data de lançamento segue sem confirmação.
Óculos inteligentes com IA já disponíveis no Brasil: