A fase de mata-mata da Copa do Mundo veio acompanhada da maior ofensiva contra transmissões piratas de futebol já coordenada nas Américas. As operações Cartão Vermelho (Red Card) e Offsides, anunciadas em 20 de julho, tiraram do ar mais de 3 mil domínios em uma ação conjunta que reuniu autoridades de sete países.
A participação brasileira foi expressiva. Por aqui, 309 sites foram derrubados e 348 canais de Telegram, que somavam cerca de 1,5 milhão de usuários, foram desarticulados. O trabalho envolveu o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), a Polícia Civil de Pernambuco, a Anatel e a Ancine, em coordenação com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Estados Unidos e Colômbia responderam por cerca de mil domínios cada, e Argentina, Peru, Equador e República Dominicana completaram a lista.

O timing não é acidental. Grandes torneios são a temporada alta da pirataria de transmissão: o volume de audiência dispara, os canais improvisados se multiplicam em questão de horas e os direitos em jogo somam bilhões. Atacar durante o mata-mata, quando o público é maior, tende a causar mais estrago na operação dos serviços do que uma ação fora de época — ainda que boa parte desses sites reapareça em novos domínios logo depois.
Há um risco que costuma passar despercebido pelo espectador. Sites e aplicativos de transmissão irregular vivem de publicidade agressiva e são um caminho conhecido para instalação de malware, roubo de credenciais e golpes bancários — algo que já apareceu em outras ações de segurança no Brasil. Acompanhar os jogos pelos canais oficiais, incluindo as opções gratuitas em TV aberta e streaming, evita esse tipo de exposição.
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