Uma falha de segurança batizada de SCTPhantom ficou escondida no kernel do Linux por 18 anos antes de ser descoberta e divulgada em agosto de 2026. Catalogada como CVE-2026-64564, a vulnerabilidade recebeu pontuação de gravidade 8,5 em 10 na escala CVSS e afeta o protocolo SCTP (Stream Control Transmission Protocol), amplamente usado em telecomunicações e sistemas de alta disponibilidade.

O problema tem origem em uma confusão lógica na gestão de memória: durante o processamento de sequências específicas de comandos de endereços IP via SCTP, o kernel reutiliza um bloco de memória que havia sido marcado como inválido. Esse comportamento abre caminho para que um invasor com acesso local ao sistema manipule o estado interno do kernel e eleve seus privilégios até administrador — ou escape do ambiente isolado de um container Docker ou Kubernetes.

Os testes práticos realizados pelo Tencent Zhuque Lab, que descobriu a brecha com auxílio do sistema de IA Corvus, foram alarmantes: 6 de 8 tentativas alcançaram privilégios de root no host — taxa de sucesso de 75% mesmo em ambientes com perfis de segurança rigorosos. A exploração funciona sem permissões administrativas prévias, bastando acesso local ao sistema.

As correções oficiais foram publicadas nas versões 7.1.6, 6.18.42, 6.12.101 e 6.6.148 do kernel. Administradores que não puderem atualizar imediatamente devem desativar o módulo com sudo modprobe -r sctp, o que elimina o vetor enquanto a atualização não é aplicada. Ambientes Docker e Kubernetes que usam SCTP para comunicação entre pods merecem atenção prioritária — o vetor de fuga de container é especialmente crítico em infraestruturas de produção multilocatário.
