
O que era vazamento virou produto. A Apple lançou oficialmente o Apple Upgrade, seu programa de aluguel de dispositivos, em parceria com a fintech sueca Klarna. Em vez de comprar o aparelho, o cliente paga uma mensalidade para usar iPhone, iPad, Apple Watch ou Mac das gerações atuais, com contratos de 12, 24 ou 36 meses, dependendo do produto. Ao fim do prazo, há três saídas: quitar o valor restante e ficar com o aparelho, migrar para um modelo mais novo ou devolver e encerrar a história.
As mensalidades divulgadas ajudam a dimensionar a proposta. O iPhone 17e de 256 GB sai por US$ 17,99 ao mês no plano de 24 meses — ou US$ 24,99 se o cliente preferir os 12 meses. O topo de linha iPhone 17 Pro Max de 256 GB fica em US$ 34,99 mensais em 24 meses, o Apple Watch Series 11 parte de US$ 11,99 ao mês e o MacBook Air de 13 polegadas custa US$ 24,99 por mês no contrato mais longo, de 36 meses. Toda a gestão do financiamento, do cronograma e das cobranças acontece dentro do aplicativo da Klarna, não da Apple.

O programa aposenta o antigo iPhone Upgrade Program e amplia o escopo: agora não é só o celular, mas praticamente toda a linha de hardware da empresa. E, como antes, tudo isso vale apenas nos Estados Unidos — a Apple Brasil confirmou que não há disponibilidade por aqui, e nenhum plano de expansão foi anunciado.
Antes do lançamento, o assunto já havia chamado atenção por um motivo bem menos comercial. Referências encontradas no código do iOS 27 Beta descreviam um sistema chamado “App Managed Features”, com verificações periódicas do status do contrato e um “Modo Restrito” capaz de bloquear a maior parte dos aplicativos em caso de inadimplência, mantendo liberadas apenas funções essenciais como telefone, mensagens, app de saúde e ajustes. A Apple não detalhou publicamente esse mecanismo ao anunciar o Apple Upgrade, então ele continua no campo do não confirmado — mas a discussão que ele levanta permanece de pé: até onde um fabricante deve poder limitar remotamente um aparelho que a pessoa usa todos os dias por causa de uma parcela atrasada?

Para o consumidor brasileiro, a leitura útil é sobre tendência, não sobre disponibilidade. Assinar hardware como se assina streaming é um modelo que vem se espalhando — e que faz sentido para quem troca de aparelho a cada ciclo e prefere mensalidade previsível a um desembolso alto de uma vez. O contraponto é conhecido: no fim de três anos de aluguel, o total pago costuma superar o preço à vista, e o aparelho só é seu se você pagar o valor residual. Aqui, por ora, o caminho continua sendo o tradicional — comprar, com ou sem parcelamento, e ficar com o aparelho desde o primeiro dia. Vale começar comparando o preço do iPhone 17 Pro no varejo nacional.
Onde comprar: